Mamografia é insuficiente para detectar câncer em mulheres mais jovens

Em uma nova polêmica médica, a American Cancer Society declarou nesta terça-feira (20/10) que as mulheres devem esperar até os 45 anos para começar a realizar a mamografia anual como forma de prevenção ao câncer de mama. A recomendação anterior era que as mulheres iniciassem essa rotina de exame aos 40.

Como justificativa para essa alteração, a American Cancer Society alega que não há evidências de que o exame é suficiente para salvar vidas.

Ao mesmo tempo em que mulheres mais jovens estão sendo aconselhadas a começar mais tarde a realização da mamografia, sugere-se que mulheres acima dos 55 realizem o exame a cada dois anos – e não anualmente, como acontece hoje.

“Desde que a última atualização de monitoramento de câncer de mama da American Cancer Society foi publicada em 2003, acumularam-se novas evidências, com base em acompanhamentos de longo prazo de testes de controle aleatórios e estudos de campo”, afirma a organização, em texto publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA).

As mulheres ainda devem ter a possibilidade de começar seus exames anuais aos 40, se quiserem, esclarece a ACS (na sigla em inglês).

O câncer de mama é a forma mais comum dessa doença entre mulheres no mundo todo. Também é uma das formas mais letais no mesmo grupo, depois do câncer de pulmão. Nos Estados Unidos, mais de 40 mil mulheres devem morrer de câncer de mama somente este ano, de acordo com o mesmo artigo.

A detecção prematura pode ajudar a aumentar as chances de sobrevida, mas começar a realizar mamografias em todas as mulheres a partir dos 40 pode trazer outros problemas. Entre eles, falsos positivos, biópsias, cirurgias para a remoção de massas que podem não chegar a oferecer perigo, além de potenciais complicações cirúrgicas.

Evidências de testes clínicos mostraram um benefício pequeno proporcionado pelas mamografias, quando se trata de salvar vidas entre as mulheres mais novas, afirmam Nancy Keating, da Harvard Medical School, e Lydia Pace, do Brigham and Women’s Hospital, em editorial que acompanha o artigo.

Segundo as duas pesquisadoras, a mamografia regular pode prevenir mortes por câncer de mama em pelo menos cinco a cada 10 mil mulheres na faixa dos 40, ou dez a cada dez mil na faixa dos 50. “Por isso, cerca de 85% das mulheres em seus 40 e 50 que morrem de câncer de mama teriam morrido, apesar da mamografia”, relatam.

Oferecer testes mais sofisticados de monitoramento, incluindo fatores de risco genéticos, seria melhor no caso das pacientes mais jovens do que mais mamografias de controle, sugerem as especialistas.

Correio Braziliense

Rocha Lima – O Laboratório de São Caetano.
Análises Clínicas, Vacinações e Ultrassonografia.

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