A Emergência das Arboviroses

As arboviroses têm representado um grande desafio à saúde pública devido às mudanças climáticas e ambientais, aos desmatamentos, migração populacional, ocupação desordenada de áreas urbanas, precariedade das condições sanitárias que favorecem a amplificação, a transmissão viral, além da transposição da barreira entre espécies.

Um grande desafio para os profissionais de saúde é a pluralidade de manifestações clínicas e a diversidade de agentes infecciosos envolvidos. Só recentemente o diagnóstico laboratorial tornou-se um aliado importante na luta contra doenças provocadas por arbovirus, mas ainda, os testes laboratoriais não são abrangentes e não estão disponíveis a toda a população.

O que está sendo feito?

Apesar da tentativa da ANSS – Agência Nacional de Saúde Suplementar em regulamentar e tornar obrigatório alguns testes pelos convênios médicos e seguradoras, as negociações nem sempre são rápidas.

A prevenção está concentrada em medidas educativas e sanitárias, já que as imunoprofiláticas não existem na maioria das infecções. A falta de terapia específica para tratamento das arboviroses acaba concentrando o tratamento somente no controle dos sintomas e manifestações clínicas.

O grande problema:

O grande desafio da classe médica e de todos os profissionais de saúde é o enfrentamento das epidemias de grande escala como pandemias, que têm se tornado cada vez mais frequente na humanidade. Nas primeiras décadas de século XXI, foram identificados alguns eventos que certamente potenciaram a atenção de todos, quanto aos riscos e impactos de epidemias de alto potencial viral como: a gripe aviária, a gripe suína, o vírus Influenza A (H1N1), o Ebola e mais recentemente arbovirus como a Dengue, Zika Virus e o Chikungunya (VIASUS; DE LA HOZ, 2015).

De acordo com Honório et. al. (2015), no Brasil o primeiro caso de Chikungunya registrado foi em setembro de 2014, na cidade de Oiapoque no estado do Amapá. Ao longo do citado ano, foram registrados em todo o país 2.772 casos em seis estados diferentes, Amapá, Bahia, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Roraima e Goiás.

O fator que dificulta o diagnóstico da Chikungunya é a ocorrência simultânea com doenças provenientes dos arbovírus, como a Dengue e o Zika no mesmo indivíduo. Nestes casos deve-se observar quais os sintomas particulares de cada vírus, como descrito abaixo:

Alguns tipos de transmissão:

Várias formas de transmissão do Chikungunya foram encontradas na literatura, dentre elas a transmissão através de transfusões de sangue. Por conta disso, os países que possuem um alto número de pessoas infectadas, devem exercer um maior cuidado nos procedimentos de transfusão de sangue, para que assim as chances de o receptor do sangue ser infectado pelo vírus diminuam (PIMENTEL; SKEWES-RAMM e MOYA, 2014).

O estudo de Rolón et. al. (2015) demonstrou que a transmissão do Chikungunya pode ocorrer através da gestação, no entanto, ainda não se identificou a transmissão através do aleitamento.

O que acontece com pessoas infectadas?

O quadro clínico das pessoas infectadas por esses arbovírus seja o Chikungunya, Zika Virus ou mesmo a Dengue, prejudica muito a qualidade de vida do indivíduo, pois além da gravidade dessas enfermidades, ele pode ficar com sequelas por todo o resto de sua vida. Honório et. al. (2015) aludem ainda, para a possibilidade mesmo que remota de se chegar ao óbito, e, deixar sequelas permanentes.

As sequelas permanentes mais frequentes estão ligadas a artrites provenientes dos vírus, que pioram significativamente a qualidade de vida do sujeito. Por conta das fortes artrites causadas pelo vírus Chikungunya, o indivíduo infectado fica impossibilitado de realizar diversos movimentos, de trabalhar e de fazer as tarefas domésticas e pessoais. As profundas artrites ocorridas no período sintomático é uma das características que distinguem o Chikungunya, essas artrites podem permanecer como sequelas permanentes na pessoa infectada (HORCADA, DIÁZ- CALDERÓN e GARRIDO, 2015).

As principais maneiras de prevenir as infecções por arbovírus ainda são:

  • Vacinação para os agentes que já possuem vacinas como a Febre Amarela e a Dengue;
  • Não frequentar lugares onde existem casos registrados;
  • Utilizar repelentes de insetos no corpo para que os mosquitos transmissores não se aproximem;
  • Ter cuidado com o uso de perfumes, alguns podem atrair os insetos;
  • Procurar estar em lugares com ar-condicionado, pois o aparelho inibe a circulação dos insetos neste ambiente.

Por: Dr. Rafael Padovani

 

Um pouco sobre o que aconteceu na palestra sobre Arboviroses, ministrada pelo Dr. Artur Timerman, confira!

Fontes:
Portal de Periódicos Fiocruz (http://periodicos.fiocruz.br)

Aedes em foco: arboviroses em expansão no Brasil
General features and epidemiology of emerging arboviruses in Brazil
Nayara Lopes, Carlos Nozawa Rosa Elisa Carvalho Linhares
DENDASCK, Carla Viana; OLIVEIRA, Euzébio e LOPES, Gileade Ferreira – Chikungunya: Aspectos Gerais do Arbovirus- Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento – Vol. 2. Ano. 1. Maio. 2016, pp. 23-32- ISSN: 2448-0959

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